
O dia se afirmou quente, agradável e muito receptivo, o sol estava a pino e eu afim de um encontro comigo mesmo, íntimo e sem traições. Andei pela pequena cidade, charmosa e graciosa atrás de mim mesmo, querendo um pouco de paz e refresco para a minha cabeça. Por mais que tudo fosse lindo, aconchegante e irresistível, eu não achava graça, poderia ter sido um passeio perfeito... enquanto ando, penso. Enquanto penso, ando.
-Um livro quem sabe?! Um café quem sabe - pensei.
O livro foi a pedida, adoro ler e interagir com os personagens. Saí da livraria em busca do café perfeito que pudesse, de alguma forma, dar uma melhorada na minha baixa pressão. Dobrando a esquina eu quero deixar minha angústia, mas ela não desvia do meu calço.
Na cafeteria de estilo alemão, o cheiro das guloseimas invade o ar e deixa tudo mais brando e ameno, me senti numa espécie de casa da vovó. O sofá com bordas de madeira talhadas e a mesa no mesmo "composé" me faziam ter lembranças do passado alegre em meio ao turbulento mar de emoções atual.
O café chegou e com ele uma fatia de torta suculenta que me lasciava à boca fazendo entregar-me ao doce e ao prazer repentino e momentâneo. o café foi sorvido aos poucos, amargo e forte ao mesmo tempo que as palavras contidas no livro. Os retratos me impressionavam e o jeito de Oscar também.
Atrás de mim, três adolescentes faziam algazarra, batiam na mesa e gritavam com suas vozes, nem de adultos, nem de crianças, fazendo o som zunir aos ouvidos. Deixei.
Enquanto a gritaria rolava, o cheiro pairava, as páginas rolavam, eu me pegava pensando em tudo e vendo que merda é o sofrimento que passamos. Tudo se forma como uma ilusão e tudo que pensamos ser felicidade é na verdade choro travestido.
T!
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