
Estava um dia lindo no Monte Olimpo. Os campos com grama verde robusta e pequenas flores amarelo-ouro mostravam que a primavera sempre esteve presente naquele lugar. Por entre as árvores andava a mais sensual de todas as deusas. Com os pés tocando a relva, Afrodite olhava a natureza e contemplava. Suas echarpes esvoaçantes, assim como seu longo cabelo sedoso tinham um poder magnetizador extremo. Seu rosto era terno e pacífico e o olhar relaxado.
Afrodite olhava à sua volta e pensava no amor que se distribuía por todo aquele lugar, pensava nos mais pequenos animais que viviam em perfeita harmonia. Após um longo trajeto, ela se depara com um grande abismo, com uma fenda enorme. Este desfiladeiro apontava para o reino dos humanos lá embaixo. Caótico e destrutivo, dele subia uma fumaça negra com um cheiro desagradável para a sensibilidade dos deuses. Os tímpanos da deusa vibravam estridentemente com os gritos, choros e lamentações vindos dos homens lá de baixo. O medo tomava conta de todos.
Dentre esses medos, o maior era do de amar. Os homens ao longo de suas vidas criaram a idéia de que o amor trazia feridas, e se eles voltassem a amar novamente, as feridas se abririam e eles então sofreriam. Ao se deparar com isso, Afrodite chorou, chorou muito e suas lágrimas se transformaram em chuva para aqueles humanos. A chuva lavava tudo e levava embora toda a sujeira criada e transformada. Mas as lágrimas não conseguiam lavar o medo, o medo de amar. E Afrodite se sentiu incapaz, impotente e arrasada por não conseguir ajudar os humanos.
Por mais poderosa e sedutora que fosse, seu poder era barrado pela mente humana. E a cada dia que passa, eles se tornam mais destrutivos.
... e a deusa continua a chorar, por toda a sua eternidade.
Tsering!
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